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28 de outubro de 2015

54 - Demanda por moeda inelástica

(Ivan Siqueira)

(Para melhor entendimento deste post, leia antes o 53)

O que nos diz uma curva de demanda por moeda mais incinada(mais em pé) :


 
A curva Md mais inclinada nos mostra que a resposta do aumento da demanda por moeda (de M1 para M2) é pouco sensível  a queda da taxa de juros(de i1 para i2), demanda pouco elástica a taxa de juros! Quanto mais em pé, mais inelástica é a demanda por moeda, ou seja, a variação da procura por moeda reage pouco a variações na taxa de juros!

Ivan Siqueira

53 - A demanda por moeda

(Ivan Siqueira)

Os agentes econômicos podem preferir possuir moeda ou títulos. Se preferem reter moeda, preferem estar líquidos, e, assim, diz-se que têm uma preferência pela liquidez. Moeda apresenta dois componentes:

Moeda manual
Depósitos à vista

A este conjunto moeda manual + depósitos à vista, chamamos de moeda. Mas, o dinheiro pode estar, altenativamente, em títulos. Mas, por que motivos procuramos moeda ao invés de títulos:

Procuramos moeda por dois motivos:
a) Para transações – ou seja, para efetuar nossos pagamentos com compras, dívidas, etc. Quanto maior o nível da renda, maior é o nível de transações, e maior é a demanda por moeda(dinheiro).

b) Para especulação – ou seja, para ganhar juros quando a taxa de juros está alta. Assim, quando a taxa de juros está baixa, maior é a procura por moeda pelo motivo especulação, quando a taxa de juros está alta, menor é a procura por moeda pelo motivo especulação, porque o dinheiro estará sendo direcionado para títulos.

Assim, a demanda por moeda para transações varia diretamente com a renda; e a demanda por moeda para especulação varia inversamente com a taxa de juros.

Veja o gráfico:
 

Quando a taxa de juros cai de i1 para i2, a demanda por moeda aumenta de M1 para M2. Assim, graficamente, a curva de demanda por moeda(Md) é descendente e inclinada para a direita.

Ivan Siqueira

13 de novembro de 2013

38 - Como é medido o dinheiro

(Ivan Siqueira)



O dinheiro são os meios de pagamento, se tudo pudesse ser pago com batatas, batatas fariam parte do dinheiro, mas não fazem parte, ninguém aceita batatas como meio de pagamento. Os economistas não gostam do termo dinheiro, preferem o termo moeda.

Bem, se batatas não são moeda, o que é moeda? O banco central emite moeda(notas e moedas metálicas), a isto chama-se papel moeda emitido(PME), mas uma parte desse volume de moeda fica no caixa do banco central, não está em circulação, assim, o papel moeda em circulação, é o resultado do papel moeda emitido(PME) menos o caixa do banco central(CBC).

Ocorre que desse papel moeda em circulação(PMC) uma parte dele está no caixa dos bancos comerciais(CBCO), assim, apenas a diferença é o papel moeda em poder do público(PMPP).

Mas, além do PMPP, existe dinheiro em depósitos à vista nos bancos comerciais(DVBCO), e esse somatório é que são os meios de pagamento. Meios de pagamento(MP) são a soma de papel moeda em poder do público(PMPP) mais depósitos à vista nos bancos comerciais(DVBCO). Os economistas dão nomes a cada uma dessas partes, PMPP é chamada de moeda manual, e DVBCO é chamado de moeda escritural.

Quem tem o poder de criar moeda? O banco central tem o poder de criar PMPP, enquanto os bancos comerciais têm o poder de criar depósitos à vista(DVBCO), são essas duas instituições os criadores de moeda! Os bancos comerciais criam moeda fazendo empréstimos baseado no fato de que os depósitos à vista não são todos sacados pelos clientes ao mesmo tempo, e isso permite emprestar parte dos depósitos à vista, ao realizar um empréstimo é criado um novo depósito à vista, e isso é criação de moeda!

Os bancos comerciais fazem seus balanços patrimoniais. Quando realizam um novo empréstimo, exemplo, $1.000,  lançam um depósito no seu passivo no valor de $1.000, e lançam no ativo um empréstimo no valor de $1.000.  O que é essa contabilização? No passivo o depósito é a dívida que o banco tem com seus clientes, enquanto no ativo, o empréstimo é o direito que o banco tem com seus clientes. Com essa operação criaram moeda! É assim que é medido o dinheiro!

Aliás, existem propostas de que o PMPP deveria ser  criado também pelos bancos comerciais. Atualmente, apenas o banco central pode emitir moeda, mas o economista Friedrich A. Hayek, Premio Nobel de Economia de 1974,  escreveu um livro em 1976, “Desestatização do Dinheiro”, onde propõe que os bancos comerciais poderiam também emitir suas próprias moedas.  Assim, aqui no Brasil não teríamos apenas o R$, mas também o ITA$, o SANT$, o BAN$, e outras moedas. Bem, as siglas são apenas uma criação didática aqui do Economeditando, mas o assunto é sério.  Quais as moedas que seriam usadas pela economia? É o mesmo que perguntar, quais os carros que são usados pelas pessoas, qual o sabão em pó é usado pelas pessoas... ? A ideia é a de que a moeda é um produto como qualquer outro e que seria melhor se administrada pela atividade privada, sem o monopólio estatal. Mas, não vamos embarcar nessa sem antes muito economeditar aqui.  Estudo essa questão desde 1978, a edição do livro do Hayek que eu tenho a  comprei  em 1978. Hayek aborda temas muito interessantes, por exemplo, no capítulo VI do livro, ele fala sobre a lei de Gresham, que diz que o dinheiro ruim tira de circulação o dinheiro bom, Hayek considera um equívoco achar que isso torna necessário um monopólio governamental do dinheiro, ele diz, “se fosse esse o caso, a lei de Gresham de fato se verificaria sempre que qualquer produtor fornecesse produtos inferiores...” Bem, não estou defendendo a ideia de Hayek,  é que o Economeditando pretende ser livre de direcionamentos ideológicos, pretendemos aqui discutir ideias, quaisquer que sejam elas...  Vamos dedicar um post apenas  a moeda privada, quem sabe isso seja uma grande ideia? Ou não?

Ivan Siqueira
 



 

37 - Expectativas movem montanhas


(Ivan Siqueira)

As coisas mais simples da economia, não são tão simples! A todo momento existe uma oferta de dinheiro na economia, e ao mesmo tempo uma procura por dinheiro. Os economista preferem chamar o dinheiro de moeda, mas não apenas a moeda metálica, mas o dinheiro em sua totalidade. Mas, o que é o dinheiro? Uma nota de papel? Moedas? Não, dinheiro pode ser tudo o que cumpra três funções: ser um meio de troca, uma unidade de conta e uma reserva de valor.  Assim, toda economia corre um risco, o de ver alguma coisa assumir esse papel, e cumprir essas funções no lugar da moeda oficial, e se a moeda local não cumpre esses papéis, uma outra moeda de fora pode passar a fazer isso!

No passado, havia a economia de escambo, ou seja, de trocas, um cara tinha uma vaca que produzia leite, e esse cara desejava  tratar de dentes, tinha que convencer ao dentista a aceitar litros de leite em troca de serviço dentário! Pior seria o dentista desejar comprar um carro, teria que convencer ao dono da concessionária a tratar de todos os seus dentes, da sua mulher e de seus filhos!  rs rs Era difícil um sistema assim funcionar, aí, surgiram as mercadorias-moedas, uma mercadoria única funcionava como moeda, tudo era pago, por exemplo,  em sal. Mas para comprar um carro, o cara deveria antes construir um galpão pra guardar a quantidade de sal, e como transportar o sal?  Foram várias as mercadorias que serviram como moeda.  Na continuidade dos fatos,  metais preciosos, como o ouro e a prata,  passaram a fazer o papel de moeda, eram duráveis, divisíveis, difíceis de falsificar.. Até que um dia alguém guardou ouro com alguém, e recebeu um certificado de papel que comprovava que o ouro estava em posse do fulano, e esse certificado é a origem das notas de dinheiro, dinheiro com lastro, mais tarde surgiu a moeda fiduciária, dinheiro sem lastro.

Mas, quem deseja ficar com dinheiro? Dinheiro não rende nada, se eu posso aplicar o dinheiro em títulos e receber juros, qual o motivo que as pessoas têm para desejar ficar com dinheiro, ou melhor , reter moeda? Segundo Keynes, são três motivos, ter moeda para pagar as suas transações, ter moeda por precaução, e ter moeda para especulação, por isso é que as pessoas têm uma demanda por moeda.  Entenda bem, demanda por moeda é desejar ter dinheiro em sua posse  para usá-lo quando precisar, esse dinheiro não está sendo usado em nada, quando você o usa, deixa de ser demanda por moeda! Se esse dinheiro não está sendo usado em nada, onde ele está? Está na forma de notas ou moedas metálicas e em depósitos à vista nos bancos comerciais.

Desse total uma parte é demanda por moeda pelo motivo especulação. Quanto? Não se sabe, não existe essa medição, mas é fácil entender por que se guarda dinheiro para especulação. É que o futuro é incerto, e a taxa de juros pode aumentar no futuro, então, o cara prefere ficar líquido no presente, ou seja, reter moeda,  aguardando a subida da taxa de juros.  No total, a moeda retida pelos três motivos, formam a demanda por moeda, a procura da economia por moeda.  Mas, e o resto da renda que não foi gasta em consumo, onde estará essa parcela, se não está na procura por moeda? Está na procura por quase-moeda, mas não é moeda. E o que me permite dizer que depósitos a prazo, poupança, letras financeiras não são moeda, são quase-moeda? É o fato de que não são meios de pagamento, não estão disponíveis como meios de pagamento, apenas moeda manual e depósitos a vista são moeda, é com eles que se pagam as compras.

Por que motivo alguém prefere aguardar o futuro com moeda no bolso(preferência pela liquidez) esperando que a taxa de juros vá aumentar, ao invés de já aplicar em títulos no presente, mesmo com taxas de juros menores? Não é melhor um pássaro na mão do que dois pássaros voando? Em economia monetária não! É que todas as vezes que a taxa de juros se eleva, quem está investido a taxas  de juros menores perde, por duas razões, primeiro porque todo mundo que fez investimentos após o aumento da taxa estará investido com rendimentos maiores , menos ele, o que já estava investido, e segundo, porque com a elevação das taxas o valor dos títulos decresce, o cara  não consegue vender seus títulos ao preço que ele os comprou, mas somente a preços menores, para que compense aos investidores obter as novas taxas que foram elevadas!  Não se esqueça nunca dessa regra: a taxa de juros aumentou, então o valor dos títulos diminuiu!

Qual a conclusão? A conclusão é o que move a economia! É que, se os agentes econômicos esperam que as taxas de juros vão se elevar, aumenta a demanda por moeda para especulação, as pessoas vão reter mais dinheiro! E daí? Daí, que falta dinheiro para títulos no presente! E daí? Daí que a taxa de juros se eleva no presente! Então, você vê o que fazem as expectativas, as taxas de juros se elevam porque esperava-se que elas se elevassem! É uma cadeia de acontecimentos!

O processo inverso também se dá, se a expectativa é de que as taxas de juros vão cair, decresce a demanda por moeda, que vai para a procura de títulos antes que as taxas de juros caiam, e isso provoca queda da taxa de juros, dinheiro demais se oferecendo para títulos. Com a queda das taxas aumenta o valor dos títulos. Você viu, reparou qual é a palavra chave? Expectativas. Expectativas movem montanhas!

Mas, e os economistas, o que podem contra esse estado de coisas? Como não conversamos ainda sobre a oferta de moeda, não sabemos ainda o que é bom ou ruim nesse “estado de coisas”! Isso é apenas a demanda por moeda, mas os economistas podem atuar na oferta da moeda, quem oferta moeda é o Banco Central, e um banco central não pode errar, seus erros podem gerar desemprego, inflação, crises na produção, lembra dos EUA na década de 30?  A taxa de juros resulta do confronto entre  a demanda por moeda e a oferta por moeda.  Vamos tratar da oferta de moeda  aí pela frente, aqui no Economeditando, mas antes precisamos saber,  como é medida a moeda?

Ivan Siqueira

 
 

 

11 de novembro de 2013

36 - Temos o melhor sistema monetário?

(Ivan Siqueira)

A vida só evoluiu quando o homem entendeu que era preciso desenvolver esquemas sociais, padronizar as ações, organizar, configurar a atividade humana. Hoje usamos muito esse termo – configurar – quando nos referimos ao computador, mas desde o início dos tempos configurar era a palavra chave,e, até hoje é assim! Imagine um grupo de meninos que desejam jogar bola em um campinho de futebol, digamos uns dez meninos. Eles entram no campo e  simplesmente começam a jogar. Ninguém sabe pra onde chutar a bola, de repente os dez estão chutando para um só lado, para o mesmo gol, não existe adversário! Não vai dar certo! Mas não é assim, uma simples pelada num campinho de um subúrbio, há uma configuração, joga-se futebol com dois times, cada time tem um goleiro, se são dez meninos, cada time tem cinco jogadores, o time A chuta para o gol do time B, e vice versa, etc, funciona porque foi padronizado. Mas, quem sabe, possa se esquematizar um outro jogo melhor do que o futebol como o conhecemos?

Agora, imagine se eu falo uma frase assim: “Pegsen ak miled ug parcaz”! Que frase é essa, o que significa isso? Não significa nada, porque não é uma linguagem conhecida por mais ninguém! A linguagem também é um sistema social. Foi combinado entre as pessoas que existe um alfabeto, o alfabeto forma sílabas, sílabas formam palavras, as palavras têm um sentido porque se referem a coisas ou ações, etc, a linguagem permite a comunicação humana porque foi sistematizada. Quem sabe, essa linguagem aí acima seja melhor do que as outras!

Um sistema monetário também é isso, não passa de um esquema onde as pessoas combinaram que aceitam expressar valores econômicos e a transacionar umas com as outras com base naquele sistema. Onde você, Ivan, quer chegar? Quero dizer que o papel de um economista é investigar se devemos ou não aceitar um determinado sistema monetário vigente só porque é ele o único que temos? Não estou falando de sistemas políticos, apenas de sistema monetário. Você sabia que existem pessoas convencidas de que os bancos centrais são a desgraça da humanidade? Não sou eu que penso assim, mas, e se essas pessoas têm razão? Vamos ver como é isso.

O primeiro grande impacto é entender que o sistema monetário afeta o sistema produtivo, afeta o desemprego, afeta a inflação, afeta a produção industrial, mas isso não é aceito por todos os economistas, é o que chamamos de neutralidade ou não-neutralidade da moeda. Neutralidade da moeda é acreditar que os movimentos da moeda só afetam os preços, mas não afetam o produto real, o desemprego. Não-neutralidade é o contrário, cada vez que o banco central atua sobre a oferta da moeda, sobre as taxas de juros, ele estará atuando sobre a economia real. Cara, isso é sério demais! Imagine um jovem, dezenove anos de idade, com saúde, forte, disponível ao trabalho, sentado na calçada de sua casa em um subúrbio do Rio, desanimado, tem o semblante triste... Você passa e pergunta a ele, “está doente, amigo?”, e ele responde, “não, estou desempregado, o Banco Central me desempregou!”.
 
O rapaz nunca trabalhou no Banco Central, ele é ajudante de caminhão, o que ele quis dizer é que a política monetária desemprega pessoas! A verdade é que você não vai ouvir aquela frase dita por um desempregado nunca,  as pessoas não conhecem economia, não sabem o que faz um banco central, e o poder que seus atos podem deflagrar de coisas boas para a economia de um país mas também de verdadeiras catástrofes! Na década de 30, a economia norte-americana foi tomada pela mais avassaladora recessão de todos os tempos, na verdade uma depressão, o nível de desemprego atingiu a 25% da população economicamente ativa. Um dos diagnósticos, considerados em análise de Milton Friedman, é de que o banco central dos EUA, o Fed, contraiu a moeda entre 1930 e 1933, quando deveria te-la expandido,  e isso teria sido o que transformou em depressão o que seria apenas uma recessão. Assim, podemos dizer que o banco central jogou milhões de pessoas na rua, além de ter feito 15.000 bancos falirem, não agências, bancos mesmo, e a economia ruiu! 
 
Precisamos investigar onde está o tendão de Aquiles, temos o melhor sistema monetário que poderíamos ter?  Como sabe-lo, precisamos entender como a coisa funciona, vou tratar disso,  vou falando, vou falando... me pergunto, me respondo... a ciência que aprendi sempre na frente, mas minha curiosidade sempre atrás!

Ivan Siqueira


22 de setembro de 2011

13 - A moeda e os quantitativistas

(Ivan Siqueira)

Os estudos sobre economia monetária apresentam um marco em 1922, quando o economista norte-americano Irving Fisher publica seu famoso livro “The Purchasing Power of Money”, e equaciona a teoria quantitativa da moeda na forma amplamente conhecida:

MV = PT

Não foi Fisher o primeiro a pensar nessa questão. No ano de 1886 um astrônomo interessado em economia, Simon Newcomb, escreveu um livro intitulado “Principles of Political Economy” onde apresentava uma idéia monetarista, ele dizia que:

VR = KP

V ele dizia que era o volume de moeda, R era a rapidez de circulação da moeda, K era o volume de bens e serviços adquiridos em determinado período, e P era nível de preços. Em suas idéias, ele dizia que um aumento de V afetaria P. Mas não fez considerações sobre se aumentos de V poderiam afetar a K, ou seja, a atividade real.

Na equação de Fisher, M é a média do volume de moeda em circulação, ou seja, a oferta monetária, V é a velocidade de circulação da moeda, P é uma média ponderada dos preços dos bens e serviços(é conhecido como índice de preços de Fisher) e T é o volume de bens e serviços negociados.

Fisher foi um dos economistas que mais refletiu sobre o que acontece com a economia do ponto de vista da moeda, ou seja, ele desejava saber que efeitos surgiriam de alterações nas variáveis de sua equação de trocas. E ele tinha 3 conclusões:

1 – Se V e T permanecerem fixas enquanto M varia em qualquer proporção, o lado monetário da equação, variará na mesma proporção, e, portanto, seu igual, o lado de bens, deve variar também na mesma proporção.

2 – Se M e T permanecem invariáveis, enquanto V varia em qualquer proporção, o lado monetário da equação variará na mesma proporção e, portanto, seu igual, o lado de bens, deverá variar na mesma proporção, conseqüentemente, P, os preços, variarão na mesma proporção, ou alguns mais e outros menos de modo a compensar-se.

3 – Se M e V permanecerem invariáveis, o lado monetário e o lado real permanecerão também invariáveis. Conseqüentemente, se T (as quantidades dos bens) variassem numa proporção determinada, P (os preços) variariam todos na proporção inversa, ou alguns mais e outros menos para compensar-se.

Como dizia minha avó, “aí tem pano pra manga!” A primeira dúvida nossa deveria ser, o que será que Fisher pensa sobre V , seria uma constante (essa é uma visão ingênua), e onde entra a taxa de juros nessa história daí?

Bem, isso Fisher abordou na sua teoria do ciclo de crédito, assunto para outra hora. Sem minha avó para atrapalhar!!!

Ivan Siqueira

10 - Efeitos distributivistas da moeda

Ivan Siqueira

(Antes leia o post 9)

Um outro pensador que muito contribuiu para o entendimento da moeda foi Richard Cantillon. Ele tem uma história terrível, morreu em um incêndio em sua casa em Londres, com suspeitas de ter sido provocado criminosamente por seu cozinheiro.

Cantillon escreveu um livro de muita importância para a economia de sua época, “Ensaios Sobre a Natureza do Comércio em Geral”. Stanley Jevons adorava esse livro de Cantillon, e o considerava o melhor pensamento antes de Adam Smith.

Cantillon participava da idéia de Hume, da não-neutralidade da moeda a curto prazo, e ia além, via efeitos distributivistas na moeda, transferência de renda ao lucro, em detrimento de salários, e isso provocaria aumento da demanda por trabalho, redução de juros e transferência de consumo para investimento. Tudo no curto prazo. Como dizia minha avó, “aí tem pano pra manga!”, quer dizer, tem é coisa pra se ver! Não é a toa que, quando o monetarismo renasce das cinzas, isso tudo volta a tona. Cantillon foi o primeiro economista a pensar que a moeda tem velocidade, variável a cada momento, ele foi quem primeiro falou em “velocidade de circulação da moeda”.

A partir daí, as bases para a teoria quantitativa da moeda estavam formadas. Foi preciso apenas Simon Newcomb dar o chute inicial, a bola bateu no pé de Marshall, tabelou com Pigou, e Irving Fisher fez o gol! Falo disso a qualquer momento.

Ivan Siqueira

9 - Iniciando na moeda

(Ivan Siqueira)


Nesse post pretendo pensar um pouco sobre os primeiros esforços que se fez para entender a moeda e sua função na economia, bem como sua relação com as variações nos preços.

A preocupação com isso, vem desde o Código de Hamurabi(séc. XVIII a.C.), depois vieram especulações dos gregos, Platão e Aristóteles(séc. V e IV a. C.) e já na Idade Média, por Nicolau Orésme, mas foi a partir de Jean Bodin(1569) que as relações entre preços e moeda começaram a tomar corpo. Veja que ele era um filósofo, não um economista, mas levantou a hipótese de que o acréscimo dos preços dos bens e serviços em vários países europeus resultava do ingresso de metais preciosos, que vinham das colônias espanholas da América. Aí estava a primeira idéia de que a moeda causa movimentos nos preços.

Em seguida, vários pensadores aderiram a esta idéia. John Locke, em 1691, trouxe uma colaboração nova, admitia que os preços variam na exata proporção da quantidade de moeda em circulação, o que significaria dizer que se a quantidade de moeda em circulação aumenta 30%, os preços aumentariam 30%. Hoje, dificilmente um teste econométrico confirmaria isso, mas Locke estava dando um passo muito importante, porque daí passou-se a pensar na neutralidade da moeda, ou seja, é possível que a moeda não tenha efeitos sobre a economia real, produto, emprego, etc, mas apenas sobre os preços. A coisa começava a ficar muito legal!

Aí, surge uma outra colaboração, a de David Hume, filósofo também. Ele viveu à época de Adam Smith, e em 1752 botou mais lenha na fogueira, propondo que se investigasse a ordem da causação entre moeda e preços, ou seja, quem causa quem? Ele diz que é a moeda que causa variação de preços, e não o contrário. Mas, ele deu uma outra contribuição, dizendo que deveria haver uma estreita relação entre quantidade de moeda e quantidade de bens no mercado, a estabilidade da economia deveria respeitar isso. Hume foi claro, sabia que no curto prazo a moeda não é neutra, ou seja, afeta sim a economia real, mas descobriu que a moeda não pode afetar para sempre, ad eternum, ou seja, a longo prazo, o produto, o emprego, a economia real. Outra de suas contribuições, é que ele alerta para uma defasagem entre variação da moeda e variações de preços, quer dizer, não é imediato, vem depois de um certo período. Isso, foi um avanço, porque é como se ele nos alertasse para pensar a economia dinamicamente. Isso é quente, veja que Milton Friedman, já nos nossos dias, embarcou na idéia de Hume do postulado da não neutralidade a longo prazo.

O assunto é extenso, e vamos seguir nele.

Ivan Siqueira