(Ivan Siqueira)
Nesse post, vou sair de Wall Street como numa máquina do tempo e vou cair lá na casa de Adam Smith, em 1776. Pra começar estou em Wall Street ainda, ou em qualquer Bolsa de Valores do mundo, quem é que não gostaria de saber como se determina o preço de uma ação, até eu! As histórias são muitas, todo mundo tem uma fórmula, ou um conjunto de mecanismos, sistemas, para se chegar a isso. Alexander Welder, em seu famoso livro “Trading for a Living”, observa que o mercado vive de criar gurus, já foi Edson Gould, Granville, Prechter(que ressuscitou as Ondas de Elliot), Bernstein, Steidlmayer(do market profile), Gann, Elliot, e muitos outros. Todo mundo tem a solução, mas a solução é coisa séria, significa entender o que é o preço de um ativo. Quem sabe isso?
Alguns estudiosos apontam um caminho bem determinado, acham que uma ação tem um preço justo, e é isso o que ela vale, em alguns momentos ela pode ter seu preço negociado acima ou abaixo desse preço justo, mas, cuidado, ela vai buscar esse preço justo, hoje ou amanhã! Os que acreditam nisso são chamados de fundamentalistas. Eles têm uma tarefa árdua pela frente, saber como será o futuro, projetar a empresa, descontar o fluxo de caixa a uma taxa de desconto que também depende do futuro, e encontrar assim, o tal preço justo! Enquanto isso, a galera tá no MetaStock procurando outras coisas. Uns gritam para o lado de lá: Hei, tá me ouvindo! Outros, gritam de lá pra cá: Consegue me ouvir! Ninguém escuta ninguém.
Mas, e os livros de Microeconomia, não é lá o lugar certo de se procurar entender como se formam os preços? Ou teoria não vale de nada? Milton Friedman tem um livro de microeconomia, mas botou o nome do livro, o mais certo, o mais direto, não chamou seu livro de Microeconomia, eu tenho o livro dele, chamou de “Price Theory” (Teoria dos Preços), claro, microeconomia não serve para outra coisa a não ser fazer com que entendamos como os preços se formam. Mas, qual preço? Qualquer preço. Se em um livro desses não tem uma explicação de como os preços das ações se formam, eu deveria esquecer a microeconomia, e até fazer um movimento internacional para retirar das universidades uma matéria que não cumpre o que diz ser! Mas, a verdade, não é essa, está tudo lá na micro, sim, não precisa de MetaStock, nem de fundamentalistas, a teoria dos preços só precisa ser olhada com mais cuidado, entendida, a microeconomia é um excelente corpo de teorias, não tem nada fora dali! Mas, a coisa começa lá atrás, em 1776, quando Adam Smith começou a economeditar sobre o que seriam os preços. Ele fez uma descoberta estarrecedora: tudo tem um preço natural e um preço de mercado. Olhe aí, lembrou dos fundamentalistas? Hoje em dia eles falam em preço justo, né, justo ou natural, dá no mesmo, foram buscar lá em Smith! Depois não querem que eu volte ao passado!
Ivan Siqueira
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23 de setembro de 2011
15 - O xeque-mate de Adam Smith
(Ivan Siqueira)
Alguém já disse que os três livros que mais beneficiaram a humanidade, são a “Bíblia”, “O Capital” (Karl Marx) e a “Riqueza das Nações”(Adam Smith). Há quem discorde de um ou outro, e há quem discorde dos três. Eu concordo com os três, cada um desses livros toca em algum ponto de nossas vidas, mas, o livro de Smith toca fundo demais!
Acabo de me lembrar de uma história muito interessante, coisas do xadrez. Conta-se que havia um jogo de xadrez marcado, entre dois bons jogadores, mas um deles faltou, e um menino de 10 anos se ofereceu para jogar no lugar do faltante. O adversário estranhou, mas a platéia sabia que o menino jogava e incentivou o jogo, e o jogo teve início. A certa altura do jogo, o menino já com grande vantagem, o adversário mostrou-se irritado em estar perdendo. De repente, o garoto dá xeque-mate e vence o jogo, e sai correndo para casa com medo do adversário!!! (risos) Acho muito legal essa história! O menino era François-André Philidor, que depois de adulto tornou-se uma referência no xadrez, ele criou uma jogada que ficou denominada como a “Defesa Philidor”.
Lembrei dessa história agora, porque Adam Smith fez algo parecido, não quando menino, mas quando escreveu seu livro “A Riqueza das Nações”, ele deu um verdadeiro xeque-mate no pensamento reinante, em especial no mercantilismo. O que os mercantilistas acreditavam e propunham abertamente é que o bem estar e a força econômica de uma nação derivava da acumulação nacional de metais preciosos. E, quem acreditava nisso? Todo mundo. O pensamento mercantilista era coerente, sim, os escritos pareciam científicos, como contestar isso?
Smith pensava, só pensava, pensava tanto que, conta-se que um dia ele estava em casa de roupão, uma peça íntima que o homem jamais deveria se mostrar em público assim, mas ele foi para a rua, pensando, e andou alguns quilômetros, até dar-se por si, que estava vestido assim!
Em meio a esse ambiente onde dominava soberano o pensamento mercantilista, Adam Smith aparece com seu livro, e move uma peça do tabuleiro, e fulmina o passado, xeque-mate: a riqueza de uma nação está na produtividade da força de trabalho, com ela, não haveria necessidade de se preocupar com o estoque de ouro, ele apareceria!
O resto, todo mundo sabe, tudo o mais veio daí!
Alguém já disse que os três livros que mais beneficiaram a humanidade, são a “Bíblia”, “O Capital” (Karl Marx) e a “Riqueza das Nações”(Adam Smith). Há quem discorde de um ou outro, e há quem discorde dos três. Eu concordo com os três, cada um desses livros toca em algum ponto de nossas vidas, mas, o livro de Smith toca fundo demais!
Acabo de me lembrar de uma história muito interessante, coisas do xadrez. Conta-se que havia um jogo de xadrez marcado, entre dois bons jogadores, mas um deles faltou, e um menino de 10 anos se ofereceu para jogar no lugar do faltante. O adversário estranhou, mas a platéia sabia que o menino jogava e incentivou o jogo, e o jogo teve início. A certa altura do jogo, o menino já com grande vantagem, o adversário mostrou-se irritado em estar perdendo. De repente, o garoto dá xeque-mate e vence o jogo, e sai correndo para casa com medo do adversário!!! (risos) Acho muito legal essa história! O menino era François-André Philidor, que depois de adulto tornou-se uma referência no xadrez, ele criou uma jogada que ficou denominada como a “Defesa Philidor”.
Lembrei dessa história agora, porque Adam Smith fez algo parecido, não quando menino, mas quando escreveu seu livro “A Riqueza das Nações”, ele deu um verdadeiro xeque-mate no pensamento reinante, em especial no mercantilismo. O que os mercantilistas acreditavam e propunham abertamente é que o bem estar e a força econômica de uma nação derivava da acumulação nacional de metais preciosos. E, quem acreditava nisso? Todo mundo. O pensamento mercantilista era coerente, sim, os escritos pareciam científicos, como contestar isso?
Smith pensava, só pensava, pensava tanto que, conta-se que um dia ele estava em casa de roupão, uma peça íntima que o homem jamais deveria se mostrar em público assim, mas ele foi para a rua, pensando, e andou alguns quilômetros, até dar-se por si, que estava vestido assim!
Em meio a esse ambiente onde dominava soberano o pensamento mercantilista, Adam Smith aparece com seu livro, e move uma peça do tabuleiro, e fulmina o passado, xeque-mate: a riqueza de uma nação está na produtividade da força de trabalho, com ela, não haveria necessidade de se preocupar com o estoque de ouro, ele apareceria!
O resto, todo mundo sabe, tudo o mais veio daí!
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