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14 de janeiro de 2012

32 - A Economia é igual a Física

(Ivan Siqueira)

Há que se repensar tudo na vida, a não ser que as coisas andem na linha! É visível a fragilidade da economia, que já foi motivo até de piadas, uma delas diz que, se dois economistas concordam, é que um não entendeu bem os conceitos do outro!

O assunto nos remete para a dúvida de se a Economia seria, de fato, uma ciência. Bem, se não é, tem que ser! E se não é, em que ponto ela deixa de ser? É preciso investigar passo a passo, ponto por ponto, conceito por conceito, para que a fragilidade, a rachadura, seja desvendada.

Não critico a economia enquanto ciência, estou convicto de que ela é, verdadeiramente, uma ciência, chamar de “exata”, aí já são outros quinhentos. Mas, quem é ciência exata? A Matemática! Mas, quem mais? Na verdade, não existe uma ciência inteiramente exata, apenas partes de uma ciência são exatas. Com a Economia, acontece exatamente o mesmo, por exemplo, a lei da oferta e da procura é exata. Mas, o que nos diz essa lei? Nos diz que a preços maiores do que o preço de equilíbrio, a oferta é maior, mas a procura é menor, o que traz os preços caírem de volta ao equilíbrio. Da mesma forma, a preços menores do que o preço de equilíbrio, a procura é maior, mas a oferta é menor, o que faz os preços subirem até o preço de equilíbrio. Isto é tão exato como uma lei da física que diz que “a força necessária para acelerar um corpo é diretamente proporcional a sua massa”, segunda lei de Newton.

Mas, a pergunta que Newton deve ter feito a si mesmo, pode ter sido: mas em que condições? Sei lá se Newton se perguntou sobre isso! O que sabemos atualmente é que as leis da Física podem não ser tão exatas quanto se imaginava. Novos dados analisados pelos telescópios Hawai Keck e Chile Extremely Large podem mudar todo o conceito de leis da Física, a partir desses dados há de se considerar de que ponto do Universo estamos nos referindo, e a Teoria Geral da Relatividade, formulada por Albert Einsten, ameaça a Física de ser considerada ciência não exata, essas novas descobertas remetem a que as leis da Física podem ser diferentes dependendo do ponto em que você está no Universo! Erraram os físicos? Não, apenas deixaram de observar certas condições!

E a Economia, o que tem há ver com isso? Tem tudo há ver. Em qualquer ciência há de se considerar as condições “ceteris paribus”, ou seja, tudo o mais sendo considerado à parte. Sim, jamais existirá uma ciência que desconsidere a condição “ceteris paribus”, seria o primeiro erro da ciência! Assim, até a lei da oferta e da procura é frágil, se não lhe impomos certas condições. O papel de um economista é ter uma questão sob análise científica, mas sem perder de vista a questão mais fundamental, e tal como os físicos se perguntar: em que “universo” estamos?

22 de setembro de 2011

7 - Ideologia ou ciência

(Ivan Siqueira)

Estudei economia em uma época muito fértil da vida nacional, mas de muita repressão, por um lado a repressão do poder, por outro lado a repressão intelectual, e eu, ali, no meio das duas, doido para ser livre!

As pessoas se dividiam ideologicamente entre posicionamentos de direita e de esquerda, e uns criticavam outros ferrenhamente. Eu desejava fazer ciência, e tinha que me livrar da saraivada de balas que voavam de um lado para o outro. Se algum estudioso usava o nome de Marx em seus estudos, era imediatamente carimbado: marxista. Se por outro lado, alguém propunha, avaliar os trabalhos de Walras, Jevons, Mashall, o patrulhamento ideológico de esquerda, carimbava: marginalista!

Esse termo “marginalista”, por acaso estava certo, aqueles pensadores formavam mesmo uma escola em economia denominada marginalista, porque utilizavam o princípio da utilidade marginal, mas o carimbo fazia qualquer um se sentir um verdadeiro marginal!(risos)

O que nenhum dos lados sabia, era que todo pensamento é enriquecedor, você encontra na teoria marxista e na marginalista elementos valiosos, que, sem eles, o mundo não seguiria adiante. Alguns economistas brasileiros foram importantíssimos para nos livrar dessa prisão intelectual, na medida em que destacavam em seus escritos a colaboração científica de um pensador, sem se preocupar com o viés político dele, sem uma barreira ideológica, eu destaco entre eles, os dois principais, Simonsen e Bresser-Pereira, eles estavam preocupados com o que há de científico na Economia.

Em 1958, Phillips sugeriu que a taxa de crescimento dos salários nominais fosse função decrescente da taxa de desemprego. Surgia aí, a curva de Phillips. A esquerda recusava essa proposição, como se Phillips tivesse dito, “vejam bem, para acabar com o desemprego será necessário gerar inflação na economia”. Phillips não disse isso, mas para a esquerda, Phillips parecia de direita!! Quanta confusão não faz uma ideologia! Mas Simonsen fazia ciência, e em seu livro “Macroeconomia” comenta sobre a curva de Phillips:

“A idéia de que as variações salariais são inversamente correlacionadas com a taxa de desemprego é bastante antiga, sendo difícil identificar sua paternidade. Marx a explicitou no Livro I de O Capital, e Irving Fisher a explorou com extraordinária habilidade num estudo publicado em 1926.”

Com esse meu post, caro internauta, desejo apenas destacar que para trilhar os caminhos da ciência econômica é preciso ter os olhos abertos, e a mente livre de grilhões ideológicos. A escola neo-clássica, e mesmo a marginalista, eram vistas como uma espécie de guardiães do capitalismo, sem que se reparasse nas mais significativas contribuições que essas correntes deram ao estudo mais eficiente da Economia, basta lembrar que os marginalistas foram os primeiros a usar o cálculo diferencial na economia. Você consegue trabalhar com economia hoje sem usar isto? Assim, ideologia é ideologia, ciência é ciência! Cada um tem o sagrado direito de abraçar a vida como deseja, direito que devemos defender acima de tudo.

Ivan Siqueira